quarta-feira, 16 de março de 2011

Asma: da teoria à prática

Prof. Dr. Luzimar Teixeira

CEPEUSP/EEFEUSP
INSTITUTO PUNIN

e-mail: lrteixei@usp.br


INTRODUÇÃO:

A asma é uma  das doenças crônicas mais incidentes na infância. É causa importante de absenteísmo escolar e de limitações para esportes e outras atividades. Entre os adultos representam importante problema, pois freqüentemente seu controle é difícil e pode estar associada a outras condições de saúde, o que torna mais grave a situação clínica global do paciente. Nos últimos anos, houve enorme progresso não só pelo melhor entendimento dos mecanismos da asma como também pelo surgimento de novos recursos terapêuticos, principalmente nos grupos dos broncodilatadores e dos antiinflamatórios. No entanto, apesar desses progressos, não se observou impacto proporcional na mortalidade e na morbidez da doença.
No segmento escolar, o professor de educação física encontra crianças e adolescentes que apresentam insuficiência respiratória aguda e que é agravada por uma série de fatores.

Conceito:

Do ponto de vista clínico representa uma obstrução difusa de vias aéreas que é reversível espontaneamente ou com tratamento. Fisiologicamente é uma obstrução de vias aéreas associada à hiperinsuflação e farmacologicamente é uma reatividade exagerada das vias aéreas a estímulos específicos e inespecíficos (HOLGATE,1990).
Pela definição da AMERICAN THORACIC SOCIETY (1962), a asma é uma doença caracterizada pelo aumento da responsividade da traquéia e brônquios a vários estímulos, que se manifesta por estreitamento difuso das vias aéreas variando de severidade espontaneamente ou como resultado de terapia. E pela organização mundial de saúde asma é o estreitamento generalizado das vias brônquicas, cuja intensidade pode variar em curto espaço de tempo, seja espontaneamente, seja por efeito de tratamento e que não é causada por enfermidade cardiovascular.

Etiopatologia

Trata-se de doença de natureza complexa. Sua etiologia é multifatorial e caracterizada pela diversidade de seus sintomas, sendo as manifestações mais comuns em crianças, os problemas respiratórios recorrentes. Pode determinar um comprometimento funcional de repetição irregular que manifesta através de uma hiperreatividade das vias aéreas a diferentes estímulos, levando a crises de broncoespasmo (TEIXEIRA,1990). Na patogenia da asma aceita-se que o brônquio do asmático apresenta uma sensibilidade diferente da população em geral que o leva a reagir diante de determinados estímulos.
            As alterações funcionais características da asma são, de um modo geral, devidas a espasmo da musculatura lisa dos brônquios, edema da mucosa e hipersecreção brônquica, provocando aumento da resistência das vias aéreas, distribuição irregular do ar inspirado, distúrbios na relação ventilação-perfusão e maior consumo energético durante o trabalho respiratório (TEIXEIRA,1990).
As crises asmáticas podem ter a duração de horas/dias e períodos sem sintomas de dias/meses. A dispnéia é predominantemente expiratória e decorrente dos fatores acima apontados. Desses fatores, o broncoespasmo e a inflamação das vias aéreas parecem ser os mais importantes, embora não esteja ainda claramente definida a relação entre  esta e a reatividade inespecífica das vias aéreas.

Fisiopatologia

Asma é o exemplo de doença das vias aéreas onde o parênquima pulmonar se apresenta normal. Sua marca fisiológica é a obstrução das vias aéreas com os sintomas característicos do impedimento à movimentação de ar para dentro e para fora dos pulmões. Outra característica é a rápida flutuação no grau de obstrução das vias aéreas (RATTO et all., 1981). Na asma são diversos os locais e mecanismos envolvidos na obstrução e é caracterizada por uma grande variabilidade entre diferentes pessoas, como na mesma pessoa em diferentes ocasiões.
O desenvolvimento da asma na infância geralmente apresenta uma considerável variação (REES, 1987). Se por um lado há indivíduos em que os fatores que a provocam são identificáveis, em outros está associada a características de atopia como rinite e eczema.
Atopia e asma são geralmente manifestações familiares onde nem todos os indivíduos atópicos desenvolvem asma, assim como nem todos os asmáticos são atópicos, indicando que a herança dessas características é transmitida independentemente (TEIXEIRA,1990). A probabilidade de desenvolver asma aumenta se ocorrerem as duas predisposições genéticas simultaneamente.

Incidência

A incidência da asma difere de país para país devido às variações geográficas e demográficas. Geralmente é mais freqüente na criança que no adulto. O início da doença se dá, na maioria dos casos, antes dos cinco anos de idade, sendo que um terço dos casos antes dos dois anos de idade.
Essa incidência permanece mais ou menos constante após a idade de dez anos. Um segundo aumento na freqüência, com início na adolescência, ainda não confirmado (RATTO et all., 1981).
Com relação ao sexo, a incidência maior é entre os meninos, sendo os mais afetados na relação 2:1 a 3:2. Os meninos além de apresentarem uma maior freqüência, são os que apresentam maior gravidade da doença. Na adolescência, as meninas são mais acometidas.
Mecanismo da reação alérgica

É uma reação imunológica mediada pelo anticorpo IgE que está ligado ao mastócito. É um mediador primário, existem mediadores secundários na patogênese da asma.
Alguns aspectos são muito importantes nesse mecanismo:

a) nos asmáticos a IgE está aumentada;
b) 80% dos mastócitos do tecido pulmonar estão concentrados nas vias aéreas;
c) os mastócitos têm alta afinidade pela IgE; e
d) pequenas quantidades de antígeno são suficientes para causar a reação.

Portanto, são inúmeras as ligações anticorpos x mastócitos, que estão concentrados nas vias aéreas. Em conseqüência, quando ocorre o contato com os alérgenos, a reação antígeno x anticorpo é exagerada e libera substâncias ativas. São essas as substâncias provocadoras de broncoespasmo.

Principais alterações e conseqüências

Nas crises de asma o estreitamento das vias aéreas, de pequeno e grande calibre provoca alterações na relação ventilação/perfusão, devido à ventilação não uniforme. A hipoxemia que ocorre devido a esse fato aumenta o estímulo respiratório, que é uma tentativa de aumentar a ventilação, e isso envolve maior gasto energético. O consumo de oxigênio necessário para ventilação pulmonar é menor que 5% do consumo total de oxigênio do organismo, mas nas crises o aumento do trabalho respiratório aumenta a porcentagem despendida (25% ou mais). Quando isso ocorre, o aumento da ventilação se torna insustentável, sobrevindo a acidose respiratória. Em crises prolongadas causa fadiga da musculatura envolvida na respiração e pode levar à falência respiratória.
A principal ocorrência da crise de asma é a obstrução generalizada das vias aéreas, sendo que quatro eventos contribuem para essa obstrução:

a) broncoespasmo (aumento do tônus da musculatura lisa do brônquio);
b) hipersecreção (receptores estimulados aumentam a secreção de muco para a luz dos brônquios);
c) edema da mucosa respiratória (mediadores inflamatórios aumentam a permeabilidade vascular);
d) inflamação (mastócitos liberam fatores quimiotáticos que atraem o infiltrado inflamatório celular com eosinófilos e neutrófilos).

Como conseqüência, ocorrem também a descamação epitelial (ruptura e subsequente eliminação do epitéllio respiratório) e o espessamento da membrana basal (multiplicação das células epiteliais para repor a membrana que resulta em espessamento).
Esses eventos provocam uma seqüência de alterações.

Asma: fatores genéticos e desencadeantes

Fatores genéticos

A predisposição para a asma é herdada mas a evolução dessa herança não é clara como em outras doenças.
A importância dos fatores genéticos pode ser demonstrada usando-se como exemplo a ilha de Tristão da Cunha, que poderia ser chamada de ilha da asma, devido à freqüência de ocorrência da  doença. A explicação está nos 15 colonizadores originais, entre os quais haviam três mulheres asmáticas.
Embora o fator familiar seja reconhecido na asma, o desenvolvimento da mesma  depende da interação de fatores ambientais e predisposição genética (REES,1987).
Fatores desencadeantes da crise de asma

a)    alergia a:
-       inalantes
-       alimentos
-       remédios

b) irritantes como:
-       poluição do ar
-       variações bruscas de temperatura e umidade

c) infecções respiratórias
d) fatores emocionais
e) exercícios físicos

Classificação da asma: (Global Initiative forAsthma, 1995)

Asma intermitente:
·      sintomas intermitentes (menos de uma vez por semana)
·      crises de curta duração
·      sintomas noturnos esporádicos
·      ausência de sintomas nos períodos críticos
·      provas de função pulmonar normal no período intercrítico: pico de fluxo expiratório (PFE) e VEF1 > que 80% do esperado

Asma persistente leve:
·      presença de sintomas  pelo menos uma vez por semana
·      as crises afetam o sono e as atividades diárias
·      presença de sintomas noturnos pelo menos duas vezes por mês
·      provas de função pulmonar normal: pico de fluxo expiratório (PFE) e VEF1 > que 80% do esperado
·      variabilidade do PF= 20 a 30%

Asma persistente moderada:
·      sintomas diários
·      as crises afetam o sono e as atividades diárias
·      presença de sintomas noturnos pelo menos uma vez por semana
·      uso diário de broncodilatador
·      provas de função pulmonar: pico de fluxo expiratório(PFE) ou VEF¹ >60% e < 80% do esperado
·      variabilidade do PF > 30%

Asma persistente grave:
·      sintomas contínuos
·      crises freqüentes
·      limitação das atividades físicas
·      provas de função pulmonar: pico de fluxo expiratório(PFE) ou VEF¹ <60% do esperado
·      variabilidade do PF > 30%

Asma: alterações torácicas

A mecânica de funcionamento do tórax (mecânica respiratória) é importante e as alterações respiratórias, podem modificá-la. Por sua vez, as alterações respiratórias, segundo sua origem, podem ser causadas pelas alterações nessa mecânica e, dependendo da gravidade, podem significar uma diminuição nas possibilidades respiratórias.
A maioria das deformidades torácicas, quando não são congênitas, está relacionada às alterações respiratórias e/ou posturais.
Os estados orgânicos deficientes geralmente estão acompanhados de uma insuficiência respiratória (LAPIERRE,1978). Essa insuficiência por sua vez predispõe o organismo a doenças e deformidades.
Assim, as alterações respiratórias podem refletir diretamente na forma do tórax. Podem provocar deformidades em decorrência, por exemplo, da ausência de ar em determinadas áreas pulmonares causada por obstrução das vias aéreas o que leva à retração das costelas.
Devido à sua forma e elasticidade, necessária para a sua função, o tórax é facilmente deformável. Isso explica porque as deformidades torácicas são menos freqüentes nos adultos que nas crianças , o que parece indicar uma regressão natural no transcurso do desenvolvimento (LAPIERRE, 1978).
As doenças pulmonares obstrutivas provocam a hiperinsuflação pulmonar, aguda nas crises, mas que pode tornar-se crônica. A repetitividade das crises com retenção de volume residual vai dando ao tórax a característica do padrão respiratório assumido.
A atividade respiratória, além de vital, exerce uma ação modeladora sobre o tórax. Sua forma pode mudar devido a essa ação; uma ventilação eficaz e uma caixa torácica bem desenvolvida são básicas para a saúde. Assim, deve haver uma preocupação com a respiração, desenvolvimento e funcionamento da caixa torácica.
O resultado de um plano de exercícios para as deformidades torácicas será tanto melhor quanto mais elástico for o tórax, ou seja, quanto mais jovem for, e as modificações obtidas são mais funcionais que morfológicas.

Asma: alterações posturais   

As alterações da coluna vertebral são freqüentes e, no caso das insuficiências respiratórias, geralmente vêm associadas as alterações  torácicas.
Na asma a combinação de alterações tóraco-vertebrais é comum e muitas vezes difícil de precisar se foi a torácica que causou a postural ou vice-versa.
As deficiências do tronco também são causas de alterações na mecânica respiratória. Essas alterações, segundo sua origem, podem modificar a mecânica respiratória e/ou  funcionamento fisiológico do pulmão.
A ventilação pulmonar depende da elasticidade pulmonar e amplitude dos movimentos torácicos. O aumento do volume da caixa torácica deve-se em grande parte ao movimento do diafragma que promove expansão do tórax em todos os sentidos. Essa expansibilidade é proporcional à amplitude do movimento de elevação das costelas e essa amplitude por sua vez depende da posição da coluna vertebral. A melhor expansão se obtém quando a costela atinge o mesmo plano da vértebra na qual está articulada, o que não acontece nas alterações posturais como escoliose e cifose (TEIXEIRA, 1991). Assim, a mecânica de funcionamento do tórax é importante por depender em grande parte desse ato mecânico.
Nesse sentido devem der orientadas as atividades físicas visando prevenir ou evitar o agravamento dos desvios posturais objetivando uma adequada mecânica respiratória.

Atividades motoras na asma

A melhora da condição física do asmático permite-lhe suportar com mais tranqüilidade os agravos da saúde, pois aumenta sua resistência fornecendo-lhe reservas para enfrentar as crises obstrutivas. A participação regular em programas de atividades físicas, pode aumentar a tolerância ao exercício e a capacidade de trabalho, com menor desconforto e redução de broncoespasmo. A orientação adequada trás ainda uma série de benefícios, entre eles melhora da mecânica respiratória, prevenção e correção alterações posturais, melhora da condição física geral e prevenção de outras complicações pulmonares. Para isso são necessárias orientações quanto ao tipo e intensidade das atividades físicas para se evitar o broncoespasmo induzido pelo exercício (BIE). O BIE é um fenômeno que atinge a maioria dos asmáticos e é um fator limitante nas atividades físicas e sociais. O BIE tende a aparecer após um esforço em torno de 70 à 80% do VO² máx com duração em média maior que seis minutos. As atividades aeróbias devem ser intervaladas e trabalhadas em limites inferiores a 80% do VO² máx. A administração de broncodilatador aerossol, 15 minutos antes do início da atividade é aconselhada.

Se durante a aula um aluno asmático entrar em BIE, algumas atitudes podem ajudar a tranqüilizar o quadro:

a) diminuir o ritmo da atividade do aluno.
b) estimular a respiração diafragmática com freno labial (inspiração nasal com expiração oral, e lábios semicerrados).
c) manter a criança sentada e reclinada para frente ou recostada para trás.
d) utilizar a medicação broncodilatadora.
e) se necessário, utilizar a respiração auxiliada (técnica de auxílio na expiração com o objetivo de mantê-la ventilada). Não substitui a administração do broncodilatador ou socorro médico.

A escala de desconforto respiratório, também auxilia o professor durante a aula, facilitando na percepção de “falta de ar” do aluno durante e após uma atividade. Através da escala, é possível identificar o nível de desconforto respiratório:
As atividades físicas adaptadas por si só, não constituem no tratamento da asma. Não dispensa a medicação, os cuidados com o ambiente e a orientação psicoterápica, pelo contrário, uma criança cuja a doença está mal controlada não é capaz de acompanhar e se beneficiar de um programa de exercícios físicos.
A melhora na condição física do asmático é conseqüência do aumento da sua resistência cárdio-respiratória, o que lhe permite suportar melhor os agravos da saúde, ou seja, fornece-lhe reservas para enfrentar as crises obstrutivas.
A participação regular em programas de atividades físicas, pode aumentar a tolerância ao exercício e a capacidade de trabalho com menor desconforto e broncoespasmo. Aumento de apetite, melhora do sono, diminuição do uso de drogas e sensação de bem estar também são fatores associados à melhora da condição física.
Os estudos concordam que a atividade física pode melhorar a qualidade de vida do asmático. Se por uma lado as atividades físicas são benéficas e tem sido recomendadas, por outro lado podem ser provocadoras de broncoespasmo induzido pelo exercício(BIE). As pesquisas indicam que os exercícios físicos são provocadores de BIE em 80 a 90% dos asmáticos. Há de se compreender que nem todas as atividades físicas provocam esse tipo de reação. O exato mecanismo responsável pelo BIE é incerto, sendo que o resfriamento e ressecamento das vias aéreas na atividade física parecem ser os maiores responsáveis. Determinadas atividades motoras podem ser mais ou menos provocadoras de crises. Para tanto, deve-se observar adaptações nas atividades. As variáveis tipo, intensidade e duração do esforço determinam o aparecimento e a gravidade da resposta obstrutiva. Outros cuidados devem ser observados:

a) inspiração nasal
b) medida do “peak flow” no início da aula (valores inferiores a 20% do previsto para a criança sugerem cuidado ou ainda a necessidade de administrar o broncodilatador)
c) explicar a importância e o objetivo de cada exercício desenvolvido em aula, e incentivar a realizar em casa para que se torne um hábito de vida.
Conclusões:

1) Um programa regular de atividades físicas pode melhorar a mecânica respiratória, tornar mais eficaz a ventilação pulmonar e, portanto, aumentar sua tolerância ao exercício físico e capacidade de trabalho.
2) A reeducação funcional respiratória, associada a um plano de exercícios, tem ação preventiva corretiva sobre as alterações torácicas e posturais.
3) São necessárias orientações quanto ao tipo e intensidade das atividades físicas para se evitar o broncoespasmo induzido pelo exercício.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Curiosidades e informações sobre os ácaros


Prof. Dr. Luzimar Teixeira
Universidade de São Paulo – USP
lrteixei@usp.br
Instituto Punin de Informação e
Referência em Asma – INSPIRA

1-   Você sabia?
v Que encontramos na poeira domiciliar fibras de tecidos, escamas de pele humana, partículas de comida, bactérias, fungos, germes e ácaros?
v Que 19.000 ácaros podem viver em um grama de poeira!?!?

2-   Você sabia?
v Que o tamanho do ácaro é 0,2 a 0,3 mm? (só são visíveis a microscópio)
v Que é um aracnídeo com tempo de vida de 2 a 4 meses?

3-    Você sabia?
v Que na poeira de um saco de aspirador pode-se encontrar 1,5 milhão de ácaros!?!?
v Que o local ideal para sua “moradia” deve ter 20 graus Celsius e 75 a 80% de unidade relativa?

      4-    Você sabia?
v Que o ácaro tem 3 garras em cada uma de suas 8 pernas?! E mais 2 pinças?!
v E que é por isso que sua remoção é difícil em materiais têxteis

5-    Você sabia?
v Que os ácaros se alimentam de escamas de pele humana?!
v Que uma pessoa “produz” e “descama” 1,2 de pele por dia?!

6-    Você sabia?
v Que 1,5 gramas de pele alimentam 100.000 ácaros?!?!
v Que os fungos “ajudam” os ácaros fazendo a pré-digestão da pele humana?!

7-    Você sabia?
v Que os ácaros produzem uma grande e constante quantidade de fezes?!
v Que cada ácaro produz 20 bolotas de fezes por dia?!
v Que cada ácaro produz 250 vezes o peso dele em fezes?!

8-    Você sabia?
v Que cada bolota de fezes do ácaro tem 30 microns de diâmetro?
v E que cada bolota e constituída de bolotas menores de 2 a 10 microns?

9-    Você sabia?
v Que as bolotas de fezes do ácaro são envolvidas por uma enzima do seu sistema digestivo? E que essa enzima, conhecida como Der p 1, é altamente alergênica?

10-   Você sabia?
v Que a enzima das fezes do ácaro (Der p 1) é:
o   Altamente alergênica
o   Não é biodegradável
o   Permanece ativa  por vários anos
o   E que a luz não a destrói?!

11-   Você sabia?
v Que a enzima das fezes do ácaro (Der p 1) é pequena bastante para ser respirada?
v E que pode ficar em suspensão no ar durante muitas horas (nas bolotas menores) e pode ser inalada?

12-   Você sabia?
v Que a enzima das fezes do ácaro (Der p 1) se instala nos bronquíolos? E que isso irrita os bronquíolos, que se contraem dificultando a respiração? E ainda que isso é uma crise de asma?!?!

13-  Você sabia?
v Que a enzima das fezes do ácaro (Der p 1) alem de irritar os bronquíolos provocam corrimento nasal, espirros e irritação nos olhos?

14-   Você sabia?
v Que após 6 anos de uso de um mesmo travesseiro, 10% de seu peso é constituído de ácaros e fezes de ácaro?!
v E que são encontradas de 3 a 5 espécies de ácaros nos travesseiros?

15-  Você sabia?
v Que em um colchão com 10 anos de uso, estima-se que vivam 1 trilhão de ácaros?!?!
v Que os ácaros atacam também a pele viva?!
v E que isso provoca dermatites?

16-  Você sabia?
v Que deixamos na cama resíduos de pele, numa temperatura e umidade ( da nossa transpiração) que são excelentes para o ácaro sobreviver continuamente?!

17-  Você sabia?
v Que a eliminação dos ácaros do carpete não diminue a quantidade de ácaros no colchão?
v Mas que a eliminação dos ácaros do colchão faz o número de ácaros do carpete ser reduzido em 50%?!

18-  Você sabia? 
v Que os ácaros são responsáveis por 50% de todos os ataques de asma?!?

quarta-feira, 2 de março de 2011

Infância e Adolescência: prontidão física e fisiológica para as atividades motoras

Luzimar Teixeira

CEPEUSP / EEFEUSP



Prontidão física e fisiológica
A criança e o adolescente apresentam particularidades físicas e fisiológicas próprias da fase de crescimento, com implicações nas suas atividades motoras, principalmente no que se refere a sua capacidade de suportar trabalho. Nessa fase, as atividades motoras são estímulos para o crescimento e desenvolvimento quando adequadamente praticadas. Por outro lado, os esforços físicos exagerados, com cargas máximas na busca de rendimento, além das exigências de ordem emocional, podem provocar danos na estrutura corporal

Adequar o esforço não significa apenas reduzir a quantidade de carga ao estilo do "trabalho para adulto reduzido". Cada faixa etária tem suas características de crescimento e desenvolvimento, além das diferenças individuais, significando que crianças com mesma idade cronológica/biológica podem ter capacidades diferentes. Deve-se lembrar ainda que a prontidão motora para executar um determinado movimento pode estar presente, mas a física e fisiológica ainda não. Por exemplo, a questão da força nos arremessos.

O ser humano tem uma capacidade de adaptação a diversas situações e estímulos do ambiente. Biologicamente, essas adaptações representam mudanças na forma e função de sistemas, órgãos e tecidos, não havendo uma separação clara entre forma e função devido a ocorrências de mudanças recíprocas. A prática de atividades motoras provocam adaptações de ordem morfológica (massa muscular) e funcional (metabolismo de energia).

Estímulos adequados resultam em adaptações/melhorias na aptidão física e capacidade de desempenho. Por outro lado, estímulos em excesso provocam “adaptações errôneas" que levam a exigências inadequadas dos sistemas/estruturas e trazem com certeza prejuízos (Weineck, 1991).

Há de se compreender também que, além dos estímulos adequados em quantidade e intensidade, deve-se considerar a velocidade com que ocorrem as adaptações orgânicas. Exemplificando: com uma semana de estímulos físicos, o sistema muscular já pode apresentar mudanças morfofuncionais, enquanto no sistema ósseo essas mudanças só ocorrem depois de várias semanas. O respeito a essas diferenças pode assegurar tempos suficientes para que ocorram adaptações orgânicas e possam evitar-se lesões na estrutura. Em resumo, o organismo se beneficiará se a carga de trabalho for adequada (quantidade e intensidade) e no tempo certo.

Segundo Berthold, 1981 (citado em Weineck, 1991), a sensibilidade do tecido é proporcional à velocidade de crescimento. Portanto, quando comparado ao adulto, a criança está mais exposta aos danos provocados por uma carga inadequada de trabalho. O risco maior e especialmente danoso é a sobrecarga ortopédica, pois a capacidade de ossos, tendões e ligamentos suportarem um trabalho é menor, tomando-se assim um fator limitante em treinamentos físicos.

Aspectos posturais
Após os 8 anos de idade, a criança apresenta alternâncias no desenvolvimento de órgãos e sistemas. O crescimento ósseo, por exemplo, se alterna com o crescimento da musculatura esquelética, resultando numa desproporção esquelético-muscular. Nessa etapa, a musculatura sofre um atraso em relação ao esqueleto. Esse fato é muito importante para a coluna vertebral, pois a musculatura não apresenta as mesmas condições de proteção para vértebras e discos intervertebrais, o que a torna mais suscetível a lesões. A coluna lombar, sujeita a cargas de tração, compressão e torção, apresenta maior incidência de lesões discais com os traumas agudos provocados pela intensidade e duração de treinamentos. Assim, para um desenvolvimento adequado, a estrutura corporal necessita de atividades motoras apropriadas para prevenção e não provocação de alterações posturais, uma vez que estas estão associadas às intercorrências na aquisição da postura. As diferentes taxas de crescimento ósseo, com conseqüentes mudanças nas proporções corporais, fazem com que o crescimento provoque mudanças na postura. São as adaptações às novas exigências de equilíbrio. O padrão de postura está se fixando para o ajuste definitivo à gravidade (Teixeira, 1991). Portanto, atividades motoras unilaterais e/ou com sobrecargas, que exigem e desgastam a estrutura de apoio, provocam, num organismo em crescimento, danos imediatos e futuros, devendo ser evitadas. Além disso, é importante considerar que, devido ao baixo nível hormonal, as cargas de força são, além de improdutivas, perigosas. Somente após os 15 anos de idade, a musculatura está desenvolvida de forma a proteger adequadamente a coluna vertebral.

Lesões por sobrecarga
Cuidados são necessários também para possíveis danos físicos localizados e áreas típicas sujeitas a lesões, principalmente os membros inferiores e em especial joelhos e tornozelos (patela, tuberosidade tibial, apófise calcânea, epífises, fascites plantares, rompimentos músculo-ligamentares - Maffulli, 1990). As solicitações anatômicas e biomecânicas características de cada modalidade de esporte são variadas e, portanto, predispõem a diferentes tipos e localizações de lesões. Podem ocorrer por um trauma direto (lesão instantânea, macrotrauma) ou por cargas repetidas sobre o aparelho locomotor (microtrauma repetido). As causas se devem a fatores intrínsecos e extrínsecos, sendo que a combinação dos mesmos leva a lesões por "overuse".

Os fatores intrínsecos incluem, além dos desequilíbrios musculares, as alterações da base inferior (pés e pernas) e superior (pelve), alterações essas geralmente associadas às da coluna vertebral (TaimelIa, Kujala & Osterman, 1990). As deficiências nos pés aparecem freqüentemente combinadas com alterações na coluna vertebral e nas pernas, o que provoca "efeitos em cadeia" sobre a postura e a locomoção. A capacidade dos pés para sustentação e locomoção depende de seus arcos. A modificação dos mesmos altera a posição dos ossos e a função dos músculos, provocando, como conseqüência, deficiências na postura e na marcha (Teixeira, 1991). O membro inferior é considerado uma unidade funcional, significando que uma alteração de pés ou pernas afeta toda a extremidade inferior. O pé pronado, por exemplo, resulta num aumento da torção do tendão de Aquiles, o que leva a uma concentração de estresse na articulação. O pé cavo apresenta uma concentração de estresse no antepé e calcâneo, levando a fascites plantares e tendinites do tendão de Aquiles. Outros aspectos anatômicos, como encurtamento de membro inferior, ante ou retroversão da pelve e insuficiências musculares, levam a mudanças no mecanismo de contração muscular e causam problemas articulares.

Os fatores extrínsecos são as cargas inadequadas de treinamento (quantidade e intensidade), técnicas inapropriadas, erros técnicos na execução do movimento, calçados e locais inadequados. A associação entre esses aspectos pode ser extremamente maléfica. A sobrecarga mecânica da repetição errônea do movimento com a quantidade/intensidade do treinamento também inadequados atingem de forma danosa os sistemas muscular e osteoarticular.

O que dizer então da associação dos fatores intrínsecos e extrínsecos? Pode ultrapassar toda a capacidade de adaptação do organismo, conduzindo à fadiga com alteração não só na capacidade e precisão do movimento como também uma predisposição às lesões de sobrecarga, chamadas de "overuse". Recentemente, são relatadas lesões causadas por "overuse" e o aumento das mesmas devido ao maior e ao mais precoce envolvimento de crianças em esporte (Backx & Erich, 1990).

A participação na competição
Outro fator a ser considerado é a utilização de modalidades esportivas que exigem o desenvolvimento de capacidades físicas que não deveriam ser enfatizadas na infância. Os treinamentos específicos, nos quais o componente predominante é o metabolismo anaeróbico láctico, ou seja, atividade em débito de oxigênio, levam a criança a atingir elevados níveis de freqüência cardíaca e lactacidemia muscular e sangüínea. Isto é atingido com esforço na intensidade acima de 80% do VO2 máximo previsto para a idade e duração entre 45 segundos e 3 minutos, esforço para o qual a criança não está preparada. Além disso, a atividade anaeróbica láctica provoca acentuada liberação de catecolaminas, ocasionando, em decorrência, vasoconstrição no sistema vascular e na musculatura cardíaca. A criança não está ainda em condições para aumentar significativamente a força de contração da musculatura cardíaca para vencer a resistência vascular periférica aumentada. O trabalho anaeróbico láctico nas crianças pode também provocar uma hipertrofia precoce da musculatura cardíaca, limitando o seu potencial físico máximo, além de predispor a uma futura hipertensão arterial (Negrão, 1980).

Por sua vez, o trabalho aeróbico promove aumento da capacidade aeróbica máxima, adapta o organismo para futuras exigências físicas e tem valor preventivo, o que significa preparar as bases fisiológicas, que são indispensáveis para obtenção de boa condição física.

Na escola, o esporte deve proporcionar uma ampla vivência motora. Aproveitar o entusiasmo infantil por essa atividade e utilizá-la como experiências motoras ricas e motivadoras são cuidados importantes para garantir que elas sejam bem-sucedidas para serem incorporadas como valor para toda a vida.

Para a participação na competição, no esporte, vários aspectos devem ser considerados, além dos anteriormente citados, destacando-se a idade para o seu início. Existem dificuldades para a determinação dessa idade com precisão, mas como regra básica está o respeito ao limite entre a infância e a puberdade.

A participação de crianças no esporte pode ter efeitos positivos e negativos do ponto de vista fisiológico. Pode ser considerada uma boa alternativa para melhorar a condição física e evitar hábitos não saudáveis, proporcionando também redução de futuros distúrbios cardiovasculares e outras doenças. Por outro lado, dependendo de fatores como idade, sexo, somatotipo, aptidão e força física, aspectos anatômicos e biomecânicos, história anterior de lesões e do tipo de esporte praticado, pode haver maior ou menor predisposição a lesões e outras conseqüências negativas à saúde. Crianças sadias têm poucas reações adversas às atividades motoras e, quando isso ocorre, deve-se à falta de precauções e cargas inadequadas de trabalho. Sem pressões externas inadequadas ou estresses, o organismo da criança responde bem às exigências, mas quando é requerida uma "resposta adulta", o mesmo não pode ser esperado. Assim, o esforço físico exigido na competição, no esporte, deve corresponder à fase de melhor adaptação orgânica da criança e não provocar estados de fadiga.
As alergias e as atividades físicas

Para as pessoas menos acostumadas com temas relacionados a atividades físicas, pode parecer estranho afirmar que o exercício físico faz parte de um programa de atendimento ao alérgico, principalmente ao se levar em consideração que o exercício pode também provocar manifestações alérgicas.

Mas é inquestionável que a melhora na condição física, com os conseqüentes benefícios físicos e fisiológicos, permite ao alérgico suportar com mais tranqüilidade os seus agravos da saúde, pois aumenta sua resistência, sua tolerância ao exercício e sua capacidade de trabalho, com menor desconforto e redução de manifestações. A melhora do apetite, do sono e sensação de bem-estar também são fatores associados à melhora da condição física.

A terapêutica medicamentosa e as medidas preventivas nas atividades físicas se orientam em função dos danos físicos-orgânicos e sociais causados pelas manifestações alérgicas. A adaptação das atividades físicas constitui-se em um tratamento coadjuvante, portanto não dispensa a medicação, cuidados ambientais e orientação psicoterápica quando for o caso.

As alergias são respostas imunológicas que podem ocorrer devido a características e susceptibilidades individuais e como resultado de exposição a estímulos físicos.

As atividades físicas, particularmente aquelas realizadas em ambientes externos e com maiores probabilidades de exposição e contato com inúmeros desencadeantes, são estímulos suficientes para provocar e agravar essa condição.

Ultimamente têm sido largamente difundidos e recomendados os programas de exercícios físicos e atividades físico-esportivas como benefícios para a saúde. Um grande número de pessoas se envolveu nesses programas e isto poderia levar a um aumento na ocorrência de uma variedade de problemas alérgicos associados aos estímulos físicos através dos exercícios. Tanto pessoas que fazem atividades físico-esportivas recreativas quanto atletas de elite podem apresentar essas manifestações clínicas.

Uma pessoa pode ter mais que uma manifestação ou tipo de alergia física e essa condição pode ser agravada por uma atividade físico-esportiva específica assim como estar associada a ingestão de certos alimentos ou medicamentos. Tem sido apontado que a vasodilatação conseqüentes aos exercícios facilita a distribuição dos mediadores/alérgenos para várias partes do corpo e traz à tona alergias latentes.

Devido a ocorrência de “combinação” de manifestações, tem sido mais adequado abordar as alergias induzidas pelos exercícios como um “continuun”, em virtude da separação não muito clara, por vezes, de entidades. Assim um diagnóstico e orientações adequadas para um efetivo tratamento e controle dessas condições é fundamental, de forma a garantir que as pessoas possam se beneficiar dos programas de atividades físicas e esportivas.

Anafilaxia induzida pelo exercício
Deve-se dar uma especial atenção a esta que é uma das mais sérias respostas alérgicas ao exercício e que, diferentemente de outras alergias físicas, ocorre especificamente como resposta ao estimulo pela atividade física. Em algumas pessoas os sintomas ocorrem quando da associação de exercícios e alimentação, principalmente peixes e frutos do mar.

As medidas preventivas são fundamentais, tendo em vista o potencial de perigo que representam os sintomas. Além da recomendação para interrupção dos exercícios, quando do início dos sintomas, devem ser destacadas as orientações para a pratica de exercícios físicos em companhia de alguém, esperar pelo menos 4 a 6 horas após uma refeição, evitar a associação de anti-inflamatórios não esteróides com exercícios.

Urticária induzida pelo exercício
Uma atuação preventiva deve levar em consideração que os sintomas podem ser potencializados com as atividades físicas, especialmente aquelas realizadas em ambiente externo, com exposição ao frio e também a outros alérgenos e irritantes do ambiente. Deve-se ter um cuidado especial com a exposição corporal total ao frio, como na natação. Nesse caso uma grande liberação de mediadores pode levar a uma grave hipotensão. Portanto, nadadores ou praticantes de natação com essa sensibilidade devem ser orientados a fazer uso de medicação preventiva.

Urticária pelo sol
Neste caso também os sintomas podem ser potencializados com as atividades físicas. A corrida, o ciclismo, uma caminhada vigorosa, vôlei e futebol de praia, com exposição direta e até prolongada ao sol, são estímulos suficientes para desencadear as manifestações e agravar a sitomatologia.; a combinação com alimentos pode ser desastrosa. As medidas preventivas incluem as loções protetoras com filtro solar e o uso de anti-histamínicos.

Urticária colinérgica
As manifestações ocorrem entre 2 e 30 minutos após a provocação pelo exercício físico ou aquecimento passivo (banho quente, sauna), podem ocorrer também com o suor, diante de situações de ansiedade e com o aumento da temperatura corporal durante as atividades. Neste caso especifico de urticária, onde o exercício é um claro provocador de sintomas podem ocorrer alterações na função pulmonar e conseqüentemente o aparecimento de “chiado no peito”. Semelhante ao broncoespasmo induzido pelo exercício, que apresenta um período refratário após uma crise, essa manifestação de urticária também tem um período refratário, ou seja, período logo após uma crise onde mesmo recebendo os estímulos não há manifestação ou as mesmas são mais brandas. Dessa forma é possível utilizar esse período refratário para aplicar um programa de atividades físicas com quantidade, duração e intensidade dos exercícios controlados e graduais, como uma estratégia para induzir uma certa tolerância ao exercício.

Rinite induzida pelo exercício
A mucosa nasal apresenta uma variação espontânea mas também pode ser alterada por exercícios e condições alérgicas. A atividade física em si pode não ser a principal causa desencadeadora dos sintomas, mas sim o aumento da exposição e contato com os alérgenos; tanto do ambiente interior (pó, mofo) quanto do ambiente exterior (poluição, temperatura e umidade do ar), decorrente do maior volume de ar que passa pela mucosa nasal durante uma atividade física. Dessa forma é muito mais comum que ocorram os sintomas associados aos exercícios físicos. A rinite induzida pelo exercício apresenta vários graus de congestão nasal, rinorréia e espirros, sendo cada vez mais apontada e reconhecida sua ocorrência especialmente em praticantes de corrida e ciclismo. Atividades que coincidentemente são também as que mais provocam broncoespasmo induzido pelo exercício (BIE). Em torno de 40% das crianças com rinite alérgica tem broncoespasmo induzido pelo exercício, enquanto que apenas 3% a 10% das não asmáticas tem o BIE. Alguns estudos apontam a corrida e jogos com bola como atividades que mais freqüentemente ocasionam os sintomas, apontando ainda a umidade temperatura do ar como fatores precipitantes. Outros trabalhos verificaram a resposta da mucosa nasal diante da execução de um exercício isométrico e encontraram significante obstrução. Deve-se ainda levar em consideração que pessoas alérgicas têm maior congestão e sensibilidade da mucosa nasal que as não alérgicas. Neste caso também as medidas preventivas já referidas devem ser adotadas, lembrando que um tratamento profilático pode aumentar a tolerância ao exercício nas pessoas com esses distúrbios.

Broncoespasmo induzido pelo exercício
A associação da asma com alergia e atopia forneceu um modelo a partir do qual vários mecanismos fisiopatológicos têm sido demonstrados. Os processos fisiopatológicos subjacentes a essas reações têm permitido compreender melhor as complexas interações celulares dessa doença. Nesse sentido, a relação entre atividade física e asma também tem sido objeto de investigação em várias pesquisas.

A asma é uma doença de evolução crônica, que muitas vezes melhora na adolescência, mas isto nem sempre ocorre, e a pessoa pode continuar a ter sintomas até a idade adulta ou durante a vida toda. De qualquer forma, a asma se adequadamente tratada não impede que o indivíduo pratique atividades físicas. A pessoa asmática deve estar sob tratamento médico, pois a atividade física não é tratamento de asma. Para poder participar das aulas de educação física, treinos ou jogos deve-se estar com a doença bem controlada. Às vezes, mesmo que esteja bem (sem sintomas), uma atividade física intensa pode desencadear uma crise de broncoespasmo (broncoespasmo induzido pelo exercício ou BIE) 5 a 15 minutos após a realização da mesma. O aparecimento de sintomas (tosse chiado e/ou falta de ar, sensação aperto no peito) levam o asmático a evitar as atividades físicas com receio de que possa ter uma crise de asma ou então interromper suas atividades quando do aparecimento dos sintomas. Estas situações acabam por criar um círculo vicioso de hipoatividade física e deteriorização do condicionamento físico geral. No caso de crianças as atividades físicas são essenciais, pois proporcionam experiências básicas de movimento, importantes no seu desenvolvimento. Além disso, é através das atividades físicas que as crianças relacionam-se entre si, seja no brincar ou no engajamento em atividades esportivas, prevenindo o isolamento psico-social e melhorando a auto-imagem e auto-confiança. Na adolescência, as atividades esportivas são mais intensas e competitivas e o adolescente asmático muitas vezes sente-se preterido, considerando-se erroneamente menos capaz ou inferior. Este comportamento, acaba por levá-lo a evitar as atividades físicas e os treinamentos, tornando-o finalmente menos apto. Portanto, as atividades físicas devem ser incentivadas, como fator de saúde para crianças e adolescentes asmáticos. É imprescindível que os profissionais da área (professores, técnicos ou médicos esportivos) saibam orientar e incentivar seus alunos/pacientes.

Se por um lado as atividades físicas são benéficas e têm sido recomendadas, por outro lado podem ser provocadoras de broncoespasmo induzido pelo exercício (BIE). As pesquisas indicam que os exercícios físicos são provocadores de BIE em 80 a 90% dos asmáticos e em 40% dos atópicos (não asmáticos). Outros estudos apontam a ocorrência de BIE em atletas sendo a prevalência de 10% a 14%. Os sintomas como tosse, dispnéia, aperto torácico e chiado após exercícios, são característicos. Geralmente professores de educação física e técnicos esportivos confundem esses sintomas com baixa condição física. Nesse sentido, para uma adequada orientação é fundamental um diagnóstico, não só levantando a história quanto aos sintomas citados, mas também quanto a outros problemas clínicos associados, especialmente a rinite alérgica. Existem questionários, validados e de fácil aplicação, que são excelentes ferramentas para avaliação e detecção precoce do BIE.

A resposta do asmático diante o exercício é diferente do não asmático. Há de se compreender que nem todas as atividades físicas provocam esse tipo de reação. Diferentes exercícios em diferentes intensidades provocam diferentes magnitudes de crises. Os exercícios podem ser classificados em mais asmagênicos (mais provocadores de crises) como a corrida e menos asmagênico como a natação por exemplo. O exato mecanismo responsável pelo BIE é incerto, sendo que o resfriamento e ressecamento das vias aéreas na atividade física parecem ser os maiores responsáveis. Chama-se aqui a atenção para a importância da respiração nasal durante as atividades físicas. O BIE é caracterizado por uma queda de 10% a 15% no fluxo expiratório máximo. Ocorre com a duração do exercício entre 6 e 8 minutos e intensidade de trabalho de aproximadamente dois terços do consumo máximo de oxigênio (freqüência cardíaca de 170 a 180/min para crianças).

A resposta ao exercício aparece alguns minutos após cessado o esforço e se reverte após aproximadamente 60 minutos. Na maioria dos indivíduos o BIE consiste em uma única crise de rápido início e recuperação. Alguns podem desenvolver uma reação tardia (4 a 10 horas após o exercício). Há medicamentos muito eficientes na prevenção do BIE, como os beta-2 agonistas (broncodilatadores), cromoglicato dissódico ou nedocromil, usados em aerossóis (sprays) 10 minutos antes das atividades físicas. Estes últimos com menos efeitos colaterais.

Inúmeros fatores podem agravar o BIE como gravidade da asma, presença de obstrução nasal, tipo e intensidade do exercício físico, poluição atmosférica, temperatura e umidade ambiente, assim como, associação à determinados produtos químicos (medicamentos, conservantes, corantes, etc.).

A obstrução nasal agrava e intensifica o BIE pela diminuição da capacidade de filtragem, pré-aquecimento e pré-umidificação do ar inalado. Embora existam inúmeras causas de obstrução de vias aéreas superiores, a mais comum e tratável é a rinite alérgica.

No tratamento do BIE medidas farmacológicas e não farmacológicas são recomendadas.

Na alternativa farmacológica o tratamento de escolha tem sido os beta-2 agonistas, o cromoglicato e o nedocromil, que embora estes últimos não sejam broncodilatadores inibem a liberação de mediadores químicos dos mastócitos, protegendo também da reação tardia ao exercício. A utilização de ambos é uma combinação eficaz.

As estratégias não farmacológicas, que poderíamos chamar de preventivas, incluem atividades físicas de aquecimento de 10 a 15 minutos (a 50% do VO2 máx previsto para a idade), não realizar atividades em ambientes agressivos (poluição, presença de alérgenos, umidade, temperatura), evitar atividades mais asmagênicas (corrida por exemplo) e restrição alimentar (tipo do alimento e tempo antes do exercício).

Os estudos indicam que uma boa condição física, onde ocorrem melhoras cardio-respiratórias e maior eficácia na mecânica respiratória, traduzido por melhores fluxos expiratórios, melhor ventilação pulmonar e conseqüentemente diminuição do volume residual, minimiza os impactos do BIE dando maior tolerância ao exercício físico, aumentando a capacidade de trabalho com menor desconforto e broncoespasmo.


Programa prático de atividades físicas nas alergias: orientações e cuidados
Para iniciar um programa de atividades físicas recomenda-se procurar compreender as funções orgânicas, principalmente aquelas diretamente envolvidas no esforço físico, de forma que o organismo trabalhe para e não contra o indivíduo.

As atividades físicas podem ser mais ou menos provocadoras de manifestações, sendo as variáveis tipo, intensidade e duração do esforço determinantes do aparecimento e da gravidade das reações alérgicas. Determinadas atividades são mais fortes provocadoras (corrida, ciclismo), porem não devem ser totalmente evitadas, uma vez que podem ser eficientes na melhora da aptidão cardio-vascular e promover uma melhor adaptação do indivíduo ao esforço.

Orientando os primeiros passos:
1 - Caminhar é um bom começo

a) Andar durante 5 a 10 minutos e aumentar gradativamente até 30 ou 35 minutos.
b) Andar um pouco mais rápido e com movimentos de braços mais vigorosos.

As tabelas 1 e 2 apresentam sugestões para 10 semanas de caminhadas, por faixas etárias e sexo; permitindo combinar distâncias, tempos e podendo ser distribuído por 2, 3 ou 5 vezes semanais.

2 - Após a etapa do caminhar rápido podem ser intercaladas corridas (trotes) de 1 a 2 minutos com caminhadas de 5 a 6 minutos. Orientar para um aumento gradativo e com controle da freqüência cardíaca.

No caso dos alérgicos recomenda-se que a freqüência cardíaca fique entre 60% a 70% da freqüência máxima para a idade.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A adequação e inadequação da atividade física e esportiva para a criança e o adolescente.

São inúmeras as preocupações que envolvem a participação da criança e do adolescente nas atividades físicas e esportivas, mas a competição no esporte é a que mais tem chamado a atenção de pais, professores, médicos e pesquisadores.
Alguns apontam que a disciplina e cooperação exigidas na competição contribuem para a formação de uma personalidade sólida de crianças em desenvolvimento.
Outros acreditam que a competitividade adquirida no esporte é transferida para a competitividade na vida e que assim “prepara” melhor para enfrentar a vida.
Há ainda aqueles que consideram o treinamento para a competição um fator importante para o desenvolvimento por proporcionar melhor condição física e assim contribuir para uma vida saudável.
Por outro lado inúmeros pais, professores, médicos e pesquisadores da área acreditam que o envolvimento precoce e sem restrições da criança em competições no esporte pode trazer riscos a saúde além de provocar efeitos psicológicos negativos ao desenvolvimento harmônico da personalidade.
É sem dúvida um assunto muito controverso. Os conhecimentos científicos acumulados ainda não permitem tomadas claras de posição.  Assim as discussões à respeito devem ter uma base de argumentos com evidências em estudos já realizados.
 É importante ressaltar que as crianças necessitam de oportunidades, motivação e orientação em uma grande variedade de atividades físicas diárias e assim desenvolver suas capacidades de movimento.
            Não se deve ver o esporte somente pela perspectiva da competição. Eventuais restrições à participação em competições no esporte não devem ser interpretadas como restrições à prática de atividades físicas, isso é inadequado.
Também devemos lembrar que as atividades físicas são essenciais para o desenvolvimento da criança e que os movimentos são de grande importância biológica ao organismo, mas que a importância das atividades físicas não se restringe ao as aspectos biológico. Mover-se é também expressão e sentimentos que podem ser manifestados através de movimentos.
Para analisar se a criança está ou não “pronta” dois conceitos devem ser considerados “prontidão” e período ótimo de aprendizagem.
Prontidão está relacionada com a noção de maturação e desenvolvimento. Sendo a maturação definida como mudanças físicas e comportamentais que ocorrem como resultado de um processo inato de crescimento. É portanto uma função dos mecanismos intrínsecos do organismo que guiam o curso de desenvolvimento. Esses mecanismos são sensíveis a inúmeras forças ambientais (dieta, doenças e uso) que influenciam a velocidade do processo.
Embora a maturação seja uma força dominante nas fases iniciais do desenvolvimento, a aprendizagem se torna cada vez mais importante à medida que a criança  interage com o meio ambiente. Assim não se trata de determinar o que é mais importante, maturação ou aprendizagem, mas sim a interação entre estes dois processos e suas mudanças no decorrer do desenvolvimento.
As demandas do esporte são complexas e envolvem componentes físicos, motores, cognitivas psicológicas e sociais. Portanto, a “prontidão” para participar está relacionada com a associação entre o estágio de desenvolvimento e estas demandas. Quando o estágio de desenvolvimento é incompatível com as demandas temos as conseqüências indesejáveis.
Período ótimo de aprendizagem está baseado na noção de períodos do desenvolvimento ótimos para influenciar o comportamento e promover a aprendizagem. Pressupõe que as capacidades necessárias para aprender a habilidade estão presentes na criança, ou seja, a prontidão. Antes desse período esforços resultam em pouca aprendizagem.
Importante lembrar que não existe um único período ótimo para todas as aprendizagens. Para cada padrão de comportamento existe um período adequado.
Várias “prontidões” devem ser consideradas, como a psicológica e social, a cognitiva e moral, a motora e a prontidão física e fisiológica, que abordaremos a seguir e mais extensamente.


Prof°.  Dr°. Luzimar Teixeira
Universidade de São Paulo – USP
Instituto Punin de Informação e Referência em Asma - INSPIRA

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Atenção! Dia 12 de março palestra gratuita: Asma e Rinite - Asma na infância com Dr. Bernardo Kiertsman das 10:00hs ao 12:00hs no Circulo Militar de São Paulo.

 

O que é ASMA


Nós sabemos que a asma é uma doença inflamatória dos brônquios e esta inflamação diminui o diâmetro da via aérea, dificultando a passagem do ar. Os sintomas são: tosse, falta de ar, chiado e aperto no peito.
A Organização Mundial de Saúde avalia que aproximadamente 100 a 150 milhões de pessoas no mundo têm asma e este número vem aumentando. A asma é um problema de saúde pública em paises desenvolvidos e em desenvolvimento. Ocorre em todas as idades e todas as raças, entretanto é mais comum na infância. É a doença crônica que mais causa falta escolar.
Vários são os fatores desencadeantes: Alérgicos (poeira domiciliar, ácaros, fungos, polens, pêlo e saliva de animais); Infecção respiratória viral (resfriados comuns); Irritantes (fumaça  em geral e principalmente de cigarro, poluição do ar, aerossóis etc.); Variação climática como exposição ao frio; Alteração emocional; Medicamentos (aspirina, anti-inflamatório não hormonal, beta-bloqueadores); e exercícios. Alguns pacientes asmáticos podem apresentar história familiar de asma e ou rinite.
            A asma é uma doença crônica e não tem cura, mas atualmente, com o maior conhecimento da doença e o desenvolvimento de novos medicamentos, temos condições de controlá-la quase que na totalidade dos casos, através de um tratamento preventivo adequado, orientado pelo médico: boa higiene do ambiente físico, fisioterapia, uso adequado de medicamentos antiinflamatórios e/ou broncodilatadores, etc., proporcionando assim uma adequada qualidade de vida.
            O  tratamento da asma é um programa de parceria do médico e o paciente e, ou seus familiares. Orientar o paciente e, ou seus familiares a identificar e evitar os fatores agravantes e desencadeantes especialmente no ambiente domiciliar. Educar e orientar o paciente e, ou seus familiares sobre sua doença para que possa entender o processo de inflamação e a broncoconstrição (estreitamento do brônquico), diferenciando os dois tipos de medicamento. Os de alívio imediato que são os brocodilatadores, os que agem na inflamação e os antiinflamatórios inalatórios para tratamento  de manutenção. Ensinar o paciente a usar adequadamente a medicação.
            O objetivo do tratamento profilático é fazer com que as crises diminuam em número, espaçando o período entre elas, diminuindo sua intensidade, maior facilidade de reversão e, com o passar do tempo, principalmente nas crianças, rareando em número, até como em muitos casos, desaparecerem.

Dr. Bernardo Kiertsman

Diretor do Departamento de Pediatria – ABRA / SP

Chefe do Serviço de Pneumologia Pediátrica
FCM da Santa Casa SP

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

ASMA EM SITUAÇÕES ESPECIAIS: BEBES E CRIANÇAS

          “Bebes chiadores” é a classificação dada freqüentemente a bebes e crianças com manifestações de asma.
A pequena dimensão das vias aéreas predispõe à obstrução principalmente após uma infecção respiratória.
As crianças são mais susceptíveis também a desenvolver episódios de chiado não associados a resfriados. Os dois fatores de risco mais comuns nesses casos são as mães que sofrem de asma e as mães fumantes.
As complicações agudas podem ser problemáticas em bebes e crianças, pois é sempre difícil determinar a gravidade da obstrução das vias aéreas.
Bebes e crianças com obstruções importantes das vias aéreas podem apresentar chiados curto e fraco, alimentar-se dificilmente e ser menos ativas. Em casos mais graves apresentam pouco chiado, sonolência e batimentos lentos do coração. Nesses casos necessitam de socorro imediato.
É importante lembrar que sintomas respiratórios crônicos na infância podem ser causadas por outras doenças.
O controle da asma na infância é a forma mais correta de prevenir o desenvolvimento de um quadro asmático mais sério e prevenir também alterações irreversíveis nas vias aéreas.
Bebes com problemas pulmonares e dificuldades no crescimento devem ser monitorados cuidadosamente.


Prof°.  Dr°. Luzimar Teixeira
Universidade de São Paulo – USP
Instituto Punin de Informação e Referência em Asma - INSPIRA